Stop the clocks and turn the world around, let your love lay me down and when the night is over, there'll be no sound. What if I'm already dead, how would I know?
Nostalgia: Substantivo feminino. Melancolia acentuada resultante de saudade.
Abrir um álbum de fotos da primeira infância é para, no mínimo, soprar o pó que estagnou no passado. Algumas memórias que julgamos perdidas curiosamente ali estão, intactas. Mesmo os anos seguintes, uma torrente de imagens e lembranças seguem-se então. Aquela menina com um tom de rosa nas enormes bochechas, o cabelo lisinho e preto, aquele tamanho compacto. Aquilo me pertence? Em algum lugar, em algum momento distante. Ou os anos dourados posteriores. A inocência, a beleza, as covinhas, as dobrinhas. E mais e mais anos. Nem preciso dizer quantas reflexões impossíveis e absurdas passam pela cabeça, em véspera de aniversário, ou como efeito colateral.
Lock the box and leave it all behind on the backseat of my mind, and when the night is over, where will I rise?
Eu quis que alguma barreira temporal inflexível ou surreal fosse capaz de frear cada uma dessas mudanças. Que sequer fosse capaz de voltar em um passado frequente. Não seria necessário mudá-lo ou revertê-lo, somente revivê-lo. Último ano, últimos momentos, última chance de irresponsabilidades liberadas e momentos dispersivos. Como foi passar tão rápido? Como fui dormir com um beijo materno e acordei numa realidade enlouquecida, enfurecida e cobrando-me as dívidas violentamente? E isso, daqui a alguns anos, há de ser e de se sentir como está agora? A tua piscina tá cheia de ratos, tuas ideias não correspondem aos fatos. Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não para. Por enquanto, chovem rios de perguntas, e mantém-se a seca de respostas.
Lost inside my head, behind the wall, do they hear me when I call? And when the night is over, where will I fall?