quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

1. Querido diário.

Condeno-te por ser tão inútil e supérfluo.
Seguir a ser vazio, sem preencher o que deveria, por mais palavras a esmo que me reserve.
Ser indiferente ao que protesto, não interferir no que proclamo, frieza e inanimação em relação a tudo que poderia representar. Representa? Atua, finge, esconde. Hipócrita! Hipócrita sim, e não digo a menos. Não digo iludir-me, pois a única culpa do iludido é de si próprio, então desse caminho considero-me feliz ao me distanciar. Iludida fui, sim, imensas e bárbaras vezes. Como os bárbaros que lhe partiram, mas isso fica para uma nova postulação.
Sem sentido algum, fazer-lhe nenhum. Em meio a tanto vazio e prostração, por quê?
Não ter nexo é saudável, ao menos assim, minha sanidade tem seu tempo próprio e alheio para se recuperar, ou reconstituir.
Condeno-te por mesmo que eu implore, mostra um reflexo imperfeito e confuso de minha alma, sem que nada possa fazer para mudar. E pois sim, deixo para mais tarde as delongas sobre a culpa. No momento este é um luxo que muito tem me irritado.

Querido.
Até mesmo por deixar a desejar.